Um
episódio que ganhou força nas redes sociais ao longo desta semana em Bom
Conselho ultrapassou as telas dos celulares e tomou conta das conversas nas
ruas, nas esquinas e nos quatro cantos da cidade. Vídeos que circularam
amplamente mostram estudantes da Escola Estadual de Referência em Ensino Médio
(EREM) Frei Caetano de Messina envolvidos em uma confusão, chegando às vias de
fato, em cenas que causam perplexidade e inquietação.
O
que mais chama atenção não é apenas o conflito em si, mas o que ele representa.
Bom Conselho, historicamente reconhecida como uma cidade pacata, de ambiente
familiar, onde praticamente todos se conhecem, passa a vivenciar episódios que,
até pouco tempo, pareciam distantes da sua realidade, restritos aos grandes
centros urbanos e às manchetes nacionais.
E
não se trata de um caso isolado. Recentemente, outra ocorrência semelhante,
envolvendo alunos da Escola Municipal São Geraldo, também gerou forte
repercussão e acendeu o alerta na população. A repetição desses episódios não
pode ser tratada como algo trivial. Pelo contrário, exige reflexão profunda.
O
que está acontecendo com a nossa juventude? Essa é a pergunta que ecoa. Jovens
que deveriam estar construindo conhecimento, fortalecendo valores e preparando
o futuro, acabam se envolvendo em situações de violência que, em nada,
contribuem para o crescimento pessoal ou coletivo.
Outro
ponto que agrava ainda mais o cenário é a postura de quem assiste. Nos vídeos
da ocorrência na EREM Frei Caetano, é possível observar outros estudantes não apenas
como espectadores passivos, mas como incentivadores — gritos, risadas,
estímulos. A banalização da violência, tratada como espetáculo, revela uma
distorção preocupante de valores.
É
preciso dizer com todas as letras: violência não é solução. Nunca foi. Quando
há conflitos, existem caminhos mais inteligentes e responsáveis — o diálogo, a
mediação, o apoio da direção escolar, o acompanhamento de professores, o
envolvimento da família. São essas ferramentas que constroem cidadãos, não o
confronto físico.
Diante
desse cenário, não há espaço para omissão. É fundamental que órgãos como o
Conselho Tutelar atuem de forma mais presente e preventiva, promovendo em
conjunto ações educativas, palestras e acompanhamento psicológico. A escola,
por sua vez, deve fortalecer seu papel não apenas como espaço de ensino, mas de
formação humana. E a família precisa estar cada vez mais próxima, atenta e
participativa.
Bom
Conselho ainda é, em sua essência, uma cidade de valores sólidos. Mas episódios
como esses acendem um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Mais do que
lamentar, é hora de agir — com responsabilidade, união e compromisso com o
futuro.
Porque,
no fim das contas, quando a juventude se perde no caminho da violência, toda a
sociedade perde junto.