A
eleição de 2026 deixou mais do que números nas urnas de Bom Conselho. Deixou
sinais. E, na política, sinal é quase sempre mais importante do que discurso. O
resultado mostrou quem conseguiu transformar apoio em voto, quem manteve
musculatura eleitoral e quem ainda precisa fazer contas para saber até onde
pode chegar.
No
placar político do município, quem saiu literalmente nas nuvens foi o grupo
Godoy, comandado pelo ex-prefeito e deputado estadual Dannilo Godoy. O
parlamentar não apenas foi o mais votado para a Assembleia Legislativa, como
alcançou expressivos 10.688 votos, uma marca que confirma sua força eleitoral
no município.
Como
se o resultado de Dannilo já não fosse suficiente, seu candidato a deputado
federal, Lula da Fonte, também teve desempenho de peso: 6.519 votos, ficando na
segunda colocação. É um resultado que fortalece uma das principais forças
políticas de Bom Conselho.
Edézio mostra força
e entrega dois resultados competitivos
Do
outro lado do tabuleiro, o prefeito Edézio Ferreira também sai da eleição com
motivos para comemorar. Seu grupo conseguiu fazer da deputada estadual Débora
Almeida a segunda colocada no município, com 6.558 votos.
Mais
importante: Débora foi reeleita. Ou seja, o grupo governista não entrou na
disputa apenas para marcar posição. Conseguiu apresentar uma votação robusta
para sua candidata e preservar seu espaço político.
Mas
foi na disputa para deputado federal que o grupo de Edézio apresentou seu
resultado mais expressivo. Clodoaldo Magalhães, apoiado pelo prefeito, terminou
como o deputado federal mais votado em Bom Conselho, com nada menos que 7.918
votos.
O
recado das urnas, portanto, é claro: Edézio não teve o estadual mais votado,
mas teve o federal campeão de votos. Em política, isso pesa. E muito.
Givaldo do
Sindicato mantém seu espaço
Outro
grupo que conseguiu mostrar força foi o liderado por Givaldo do Sindicato. Seu
candidato a deputado estadual, Doriel Barros, obteve 2.294 votos.
Para
deputado federal, o grupo apoiou Carlos Veras, que alcançou 3.013 votos,
terminando na terceira colocação entre os federais no município.
Não
é uma votação para disputar o topo do ranking, mas é suficientemente expressiva
para mostrar que Givaldo mantém uma base eleitoral e continua sendo uma
liderança a ser considerada nas próximas movimentações políticas.
Toninho da
Constrular: votação modesta acende luz amarela
O
empresário Toninho da Constrular também entrou no jogo eleitoral, mas o
resultado ficou bem abaixo das principais forças locais.
Seu
candidato a deputado estadual, Cayo Albino, obteve 301 votos em Bom Conselho.
Para deputado federal, Gabriel Porto ficou com 253 votos.
São
números que, politicamente, não permitem grandes comemorações. Mais do que
consolidar uma liderança, o resultado revela o tamanho atual do espaço
eleitoral desse grupo.
Capitão Boanerges
também ficou longe dos grandes blocos
O
grupo do capitão Boanerges apoiou Jobson Almeida para deputado estadual,
alcançando 192 votos. Na disputa federal, a escolhida foi Juliana de Chaparral,
que recebeu 250 votos no município.
São
votações que mostram participação no processo, mas ainda sem força suficiente
para colocar o grupo na primeira divisão do jogo político local.
Coronel Campos
aposta em nomes vitoriosos
O
coronel Campos adotou uma estratégia diferente e saiu eleitoralmente mais
confortável. Para deputado estadual, apoiou Cayo Albino, enquanto, na disputa
federal, esteve com Clodoaldo Magalhães.
Cayo,
somando os apoios recebidos, chegou a 301 votos em Bom Conselho, enquanto
Clodoaldo, também apoiado pelo grupo de Edézio, foi o campeão entre os
federais, com 7.918 votos.
No
caso de Campos, portanto, o resultado federal acabou sendo muito mais significativo
do que o estadual.
Jurandir do Ferro
Velho tem resultado discreto
O
grupo de Jurandir do Ferro Velho apoiou Janjão para deputado estadual. O
candidato obteve apenas 63 votos em Bom Conselho. Para deputado federal, o
apoio foi destinado a Miguel Coelho, que somou 73 votos.
Os
números, é verdade, ficaram distantes das grandes votações registradas no
município. Mas seria injusto olhar apenas para a matemática da urna e ignorar o
movimento político feito por Jurandi. Ele se esforçou, foi às ruas, conversou,
pediu votos e colocou seu nome novamente no debate político local.
A
votação pode não ter sido suficiente para colocá-lo entre os protagonistas do
pleito, mas serviu como mais um degrau. Na política, nem toda eleição é feita
para ganhar; algumas servem para medir terreno, fortalecer relações e abrir
caminhos para o próximo capítulo.
Clebson Quaresma
mostra que mandato também pode produzir voto
O
vereador Clebson Quaresma entrou na eleição apoiando Beto Accioly para deputado
estadual e conseguiu entregar ao candidato 630 votos em Bom Conselho.
Para
deputado federal, Clebson esteve ao lado de Clodoaldo Magalhães, que, como já
registrado, foi o mais votado no município, com 7.918 votos.
O
desempenho de Beto é um dado que merece atenção. Seiscentos e trinta votos não
colocam Clebson no grupo dos gigantes eleitorais, mas demonstram uma capacidade
de mobilização que pode crescer com o tempo.
Estreantes e apoios
menores também aparecem no radar
A
eleição também serviu como porta de entrada para novos nomes. Ivan Índio,
estreante na política local, disputou para deputado estadual e obteve 124
votos.
Já
Chiquinho da Loja apoiou Renato Antunes para deputado estadual, garantindo ao
candidato 63 votos em Bom Conselho.
São
votações pequenas diante dos gigantes da eleição, mas política não se constrói
apenas com grandes números. Muitas vezes, é justamente nesses primeiros testes
que começam a ser medidas futuras pretensões.
O que realmente dizem
as urnas?
O
mais interessante do resultado de 2026 não está apenas na lista dos mais
votados. Está no desenho que ela produz.
Dannilo
Godoy sai fortalecido como principal liderança individual do município, demonstrando
força pessoal, mas também de conjunto político. Edézio Ferreira, por sua vez,
preserva sua condição de principal força institucional e mostrou capacidade de
transferência eleitoral.
Os
demais grupos aparecem numa espécie de segundo pelotão. Givaldo do Sindicato
mantém uma base respeitável; Clebson Quaresma apresenta musculatura própria;
enquanto Toninho da Constrular, capitão Boanerges, Jurandir do Ferro Velho,
Ivan Índio e Chiquinho da Loja ainda precisam transformar participação em
densidade eleitoral.
A eleição terminou.
A disputa política, não
O
resultado de 2026 deixa uma pergunta inevitável no ar: quem terá mais capacidade
de transformar essa votação em projeto político para 2028?
Porque
urna de eleição proporcional não é exatamente um retrato perfeito da força
municipal. Há fatores nacionais, estaduais, alianças, máquinas partidárias e
relações políticas que interferem diretamente no resultado.
Mas
também seria ingenuidade desprezar o recado das urnas.
E
o recado de Bom Conselho foi forte: Dannilo Godoy continua muito vivo no jogo; Edézio Ferreira mostrou que sua
estrutura política tem força; Givaldo do Sindicato tem base de apoio e capacidade de articulação, e os demais grupos terão de trabalhar bastante se
quiserem ocupar espaço relevante na próxima eleição municipal.
A
eleição de 2026, portanto, não encerra a disputa. Ela apenas atualiza o placar.
E,
em Bom Conselho, o próximo jogo já começou.