As
urnas foram abertas, os votos foram contados e Bom Conselho começa agora a
fazer aquilo que a política sempre provoca depois de uma eleição: analisar os
números, comparar cenários e tentar compreender os recados deixados pelo
eleitor.
O
primeiro turno das Eleições 2026 terminou com resultados esperados em alguns
segmentos, mas também com surpresas e movimentações que merecem uma leitura
mais cuidadosa. Na terra de Papacaça, o eleitorado mostrou que continua atento
às disputas nacionais, estaduais e, principalmente, às articulações políticas
que passam pelo município.
No
cenário nacional, a eleição presidencial terá segundo turno entre Flávio
Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o
Tribunal Superior Eleitoral, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos
votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A segunda rodada está marcada
para 25 de outubro.
Em
Bom Conselho, entretanto, o desenho foi diferente do resultado nacional. Lula
foi o candidato mais votado, com 19.346 votos, enquanto Flávio Bolsonaro
recebeu 5.154 votos.
Na
sequência apareceram Augusto Cury, com 436 votos; Ronaldo Caiado, com 365; e
Renan Santos, com 281. Zema teve oito votos; Edmilson Costa, quatro; Samara,
três; Hertz Dias, três; Clariana Barão, três; e Wilson Grazi, um voto. Rui
Costa Pimenta não pontuou no município.
Mais
do que uma simples fotografia eleitoral, esses números mostram a força que a
disputa presidencial possui no município e também a distância entre o
comportamento do eleitorado local e o resultado agregado do país.
Raquel Lyra vence
no Estado e também em Bom Conselho
Se
a eleição presidencial ainda ficou para o segundo turno, em Pernambuco a
disputa pelo Governo do Estado terminou já na primeira rodada.
Raquel
Lyra (PSD) foi reeleita governadora no primeiro turno, com 53,27% dos votos
válidos em todo o Estado, segundo o TSE. João Campos ficou em segundo lugar,
com 44,82%.
Em
Bom Conselho, Raquel também terminou na frente, alcançando 12.999 votos. João
Campos obteve 10.251 votos, enquanto Ivan Morais recebeu 143; Renan, 74;
Professor Camila, sete; e Guilherme Fonseca, três votos. Victor Assis não
pontuou na terra de Papacaça.
O
resultado municipal chama atenção justamente pela proximidade entre os dois
principais nomes. A diferença de 2.748 votos mostra que, embora Raquel tenha
confirmado sua liderança local, João Campos também construiu uma votação
expressiva no município.
É
um dado que merece ser observado dentro do tabuleiro político de Bom Conselho,
sobretudo porque eleições majoritárias costumam funcionar como termômetro das
alianças e da capacidade de mobilização dos diferentes grupos.
Senado: Humberto e
Marília ficam com as duas vagas
Para
o Senado, Pernambuco elegeu Humberto Costa e Marília Arraes, que também foram
os dois candidatos mais votados em Bom Conselho. O resultado estadual confirma
que ambos conquistaram as duas vagas em disputa.
Na
terra de Papacaça, Humberto Costa recebeu 12.350 votos, enquanto Marília Arraes
alcançou 9.742.
Eduardo
da Fonte apareceu com 7.565 votos, seguido por Mendonça Filho, com 7.138; Túlio
Gadêlha, 4.814; Carlos Santana, 1.953; Paulo Rubem Santiago, 63; Pastor Gilvan
Costa, 35; Gorett Bitu, 18; Samuel Timóteo, 11; Mariano Macêdo, oito; e Mailson
da Silva Neto, dois votos.
O
resultado do Senado também revela um eleitorado que distribuiu votos entre
diferentes forças políticas, sem concentrar toda a votação em apenas um campo.
Clodoaldo lidera
para deputado federal
Na
disputa pela Câmara dos Deputados, o resultado de Bom Conselho trouxe Clodoaldo
Magalhães na primeira colocação, com 7.918 votos.
Lula
da Fonte ficou em segundo, com 6.519 votos. Carlos Veras obteve 3.013; Iza
Arruda, 1.198; Jones Manoel, 509; Gilson Machado, 500; Pedro Campos, 345;
Gabriel Porto, 253; Anderson Ferreira, 252; Juliana de Chaparral, 250; Thiago
Medina, 240; Sílvio Costa Filho, 234; Isabel Urquíza, 187; Vânia de Miguel,
174; Clarissa Tércio, 158; Liana Cirne, 145; Izaías Régis, 135; Coronel Meira,
131; Rosa Amorim, 107; Felipe Carreras, 79; Kari Santos, 78; Miguel Coelho, 73;
Pastor Eurico, 71; Fernando Ferro, 71; Lucas Ramos, 67; e Ossesio Silva, 65
votos.
Os
demais candidatos ficaram abaixo dos 60 votos.
O
dado mais significativo, porém, talvez esteja na concentração da votação nos
primeiros colocados. Clodoaldo e Lula da Fonte, juntos, somaram mais de 14 mil
votos, mostrando a capacidade de mobilização de seus respectivos grupos e
lideranças no município.
Danillo Godoy abre
vantagem para deputado estadual
Na
disputa pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, o resultado foi ainda mais
expressivo.
Danillo
Godoy foi o mais votado em Bom Conselho, com 10.688 votos, seguido por Débora
Almeida, com 6.558.
Depois
apareceram Doriel Barros, com 2.294 votos; Beto Accioly, 630; Cayo Albino, 301;
Marconi Santana, 220; Gilson Machado Filho, 204; Jobson Almeida, 192; Abimael
Santos, 172; Ivan Índio, 124; Dani Portela, 108; Yasmin Alves, 83; André
Ferreira, 70; Any Fernandes, 69; Adalto Santos, 68; Professor Ivete Caetano,
66; Janjão, 63; Renato Antunes, 63; João de Nadegi, 61; Gleide Ângelo, 59;
Pastor Júnior Tércio, 53; e William Brigido, 51 votos.
Os
demais candidatos tiveram menos de 50 votos.
A
diferença entre os dois primeiros colocados chama atenção e mostra uma
concentração significativa de votos em torno dos nomes que conseguiram maior
capacidade de articulação no município.
Uma eleição que
deixa perguntas para o futuro
Mais
do que números isolados, o resultado de 2026 deixa uma fotografia política
interessante de Bom Conselho.
Foi
uma eleição diferente das últimas. Novos movimentos apareceram, grupos
políticos se movimentaram, antigas alianças foram testadas e novas aproximações
ganharam espaço. A disputa teve ingredientes próprios, com diferentes forças
procurando demonstrar presença nas urnas.
E
é justamente aí que começa a parte mais interessante da política: a leitura do
que os números significam.
Uma
eleição não termina quando a urna é lacrada. Ela continua nos bastidores, nas
conversas, nas avaliações internas e nas estratégias que começam a ser
desenhadas para o próximo ciclo.
Em
Bom Conselho, os resultados de 2026 deixam claro que existe um eleitorado capaz
de distribuir votos entre diferentes forças e candidatos. Também mostram que
lideranças locais tiveram papel importante na construção das votações e que
determinados grupos conseguiram transformar articulação política em números
expressivos.
Mas
seria precipitado transformar o resultado de 2026 em uma fotografia definitiva
de 2028. Eleição municipal possui outra dinâmica, outros personagens e,
principalmente, outra lógica de proximidade com o eleitor.
O
que se pode dizer, com segurança, é que as urnas de 2026 deixaram pistas.
Alguns
nomes saem fortalecidos eleitoralmente, outros precisarão compreender o tamanho
real de suas votações, enquanto novos atores podem encontrar espaço para entrar
no debate político municipal.
A
sucessão de 2028 ainda está distante no calendário, mas a política, como se
sabe, não costuma esperar o calendário chegar.
Em
Bom Conselho, o primeiro turno de 2026 termina com números importantes,
movimentos que chamaram atenção e um cenário que, certamente, será analisado
com lupa pelos diferentes grupos políticos.
A
eleição presidencial ainda terá um novo capítulo. Mas, para a política local, a
urna de 4 de outubro já entregou material suficiente para muitas conversas — e,
sobretudo, para começar a desenhar o mapa político que poderá influenciar os
próximos dois anos na terra de Papacaça.
Os
números estão postos. Agora começa a fase das interpretações.