terça-feira, 21 de abril de 2026

Educação com identidade: Márcia do Angico coordena formação e fortalece ensino quilombola em Bom Conselho.

A educação quilombola de Bom Conselho ganhou um novo impulso nesta semana, com uma ação que reafirma o poder transformador do ensino contextualizado e enraizado na identidade do povo. Na última segunda-feira (20), a líder quilombola Márcia do Angico esteve à frente da formação dos professores do EJA Quilombola, realizada na Escola Municipal Doralice Rodrigues da Silva, situada na comunidade quilombola Angico, na zona rural do município.

Mais do que uma simples capacitação, o encontro se consolidou como um verdadeiro espaço de valorização dos saberes tradicionais e de construção coletiva de conhecimento. Sob a coordenação de Márcia, que há anos se destaca pela defesa da cultura e dos direitos das comunidades quilombolas, a formação trouxe conteúdos que dialogam diretamente com a realidade local, um passo essencial para tornar a educação mais inclusiva e eficaz.

O momento contou com a contribuição de facilitadores que imprimiram densidade e significado à formação. Almir João da Rocha abordou o tema “território, identidade e prática: como transformar saberes quilombolas em material didático vivo”, provocando reflexões sobre a necessidade de um ensino que respeite e incorpore a vivência das comunidades. Já Edson de Barros Rodrigues trouxe à tona “práticas agrícolas e tempo quilombo: caminhos da agroecologia, da sustentabilidade e da vivência quilombola”, destacando a importância de integrar conhecimento ancestral e práticas sustentáveis ao processo educativo.

A iniciativa evidencia um caminho sem volta: o da educação que reconhece as raízes e fortalece identidades. Em uma época em que tanto se fala em inclusão, Bom Conselho dá um exemplo concreto de como fazer — com protagonismo local, escuta ativa e compromisso com a história de seu povo.

O resultado é claro: quando a escola dialoga com a realidade, o aprendizado floresce. E, nesse cenário, lideranças como Márcia do Angico mostram que transformar a educação é, antes de tudo, valorizar quem constrói diariamente a própria história.

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