A educação que se pretende construir para os próximos anos passa, necessariamente, pela capacidade de ouvir diferentes vozes. Foi com esse espírito que a líder quilombola e ex-vereadora de Bom Conselho, Márcia do Angico, participou, na quinta-feira (24), da Pré-Conferência Regional da Educação, que reuniu representantes de 23 municípios do Agreste em um importante espaço de diálogo, escuta e construção coletiva de propostas para o Plano Estadual de Educação.
Professora de formação, Márcia participou das discussões do Eixo 9, dedicado à educação escolar indígena, à educação do campo e à educação escolar quilombola. Para ela, estar presente nesse debate significou mais do que acompanhar uma agenda educacional: foi uma oportunidade de levar para a mesa de discussões uma realidade que precisa ser considerada no planejamento das políticas públicas.
A participação ganhou um significado ainda maior pela possibilidade de contribuir diretamente para a construção de propostas voltadas ao reconhecimento e ao fortalecimento da educação escolar quilombola. Uma modalidade que carrega características próprias, marcada pela história, pela cultura, pela identidade e pelos saberes das comunidades quilombolas.
O debate também olha para além do presente. As propostas discutidas poderão contribuir para o planejamento educacional dos próximos anos, tanto no âmbito estadual quanto municipal, especialmente na construção do Plano Municipal de Educação de Bom Conselho para o período de 2027 a 2037.
É justamente aí que a presença de representantes das comunidades ganha importância. Planejar a educação sem ouvir quem vive diariamente suas diferentes realidades seria deixar de fora uma parte essencial da história. A participação de Márcia do Angico ajuda a colocar a questão quilombola no lugar que ela merece: dentro do debate sobre as políticas educacionais e sobre o futuro que se deseja construir.
Para Bom Conselho, a presença de uma professora, liderança quilombola e ex-vereadora em um espaço regional dessa natureza também representa uma oportunidade de ampliar o diálogo sobre uma educação que seja capaz de reconhecer as diferenças, respeitar identidades e garantir que ninguém fique à margem do processo de construção das políticas públicas.
No fim das contas, discutir o plano da educação é discutir o futuro. E quando esse futuro começa a ser desenhado com mais vozes, experiências e realidades à mesa, a construção tende a ser mais democrática, mais plural e mais próxima da vida das pessoas.

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