Fechadas as portas de 2025 e já ultrapassados os primeiros dez dias de 2026, um tema segue ocupando as conversas de bastidores, as mesas de café e as análises mais atentas do meio político de Bom Conselho: a convivência entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo ao longo do último ano. Prefeito e vereadores dividiram o mesmo palco institucional, mas nem sempre falaram a mesma língua — algo, diga-se, longe de ser novidade na política.
Numa leitura rápida, porém honesta e aprofundada, o retrato que se desenha é o de uma relação marcada por altos e baixos. Houve momentos de bandeira branca, diálogo aberto e convergência em pautas importantes. Em outros, as garras estiveram afiadas, os discursos endureceram e os embates ganharam corpo. Nada além do esperado quando o Executivo governa com minoria na Câmara e a oposição detém a maioria das cadeiras.
É da natureza do jogo político que assim seja. A ausência de um aliado na Mesa Diretora — especialmente na presidência da Casa — impõe dificuldades reais ao Executivo. Cria ruídos, provoca desconfortos e exige uma dose maior de articulação, paciência e jogo de cintura. Governar nessas condições não é tarefa simples, e legislar com maioria também traz a responsabilidade de saber separar o confronto político do interesse coletivo.
Ainda assim, é preciso reconhecer: 2025 não foi um ano assombroso, tampouco fugiu dos padrões que a política municipal já conhece. Não houve rupturas institucionais, nem crises que paralisassem a cidade. O ritmo foi o comum da democracia, com embates aqui, entendimentos ali, avanços possíveis e travas previsíveis. A política, no seu estado mais cru e real.
O desafio que se impõe agora, em 2026, é outro. Novos capítulos começam a ser escritos e, com eles, renova-se a necessidade de maturidade política. As diferenças ideológicas e os projetos distintos continuarão existindo — e isso é saudável. O que não pode persistir é a lógica do confronto pelo confronto, do desgaste gratuito, da disputa que não entrega resultados à população.
Bom Conselho precisa, acima de tudo, de uma convivência institucional harmônica, pacífica e responsável. As arestas políticas devem ser aparadas, os confrontos pessoais deixados de lado e o foco recolocado onde nunca deveria sair: no bem-estar da cidade e do seu povo. A história mostra que quando Executivo e Legislativo compreendem isso, quem ganha não é um grupo ou outro, mas a coletividade. E é esse entendimento que a população espera — e cobra — para o ano que se inicia. (Na foto: o vereador Alípio Soares - Presidente da Câmara Municipal - e o Prefeito Dr. Edézio Ferreira)

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