Tem algo muito errado com a seleção brasileira. E não é de hoje. O que se viu no amistoso da última quinta-feira (26), na derrota por 2 a 1 para a França, escancarou uma verdade dura: o Brasil virou um barco furado, à deriva, sem rumo e sem alma.
Não é só o placar que incomoda. É o contexto. Jogando praticamente todo o segundo tempo com um homem a mais, a seleção não conseguiu se impor, não mostrou reação, não teve brio. Ficou ali, rodando a bola, sem objetividade, sem criatividade, sem aquele velho e bom futebol arte que sempre foi a marca registrada do Brasil.
E aí vem a pergunta que ecoa na cabeça do torcedor: quem são esses jogadores? É duro dizer, mas a seleção hoje é formada por rostos que o povo mal reconhece. Falta identidade. Falta conexão com a torcida. Dizem que muitos brilham na Europa, mas quando vestem a amarelinha… somem. Não chamam a responsabilidade, não decidem, não fazem a diferença.
No banco, a situação não é melhor. Carlo Ancelotti parece ainda não ter entendido onde está. Dirigir a seleção brasileira não é a mesma coisa que comandar clube europeu. Aqui, o peso é outro, a história fala mais alto. Até agora, muito discurso, muito “blá-blá-blá” num português misturado com italiano arrastado, e dentro de campo… nada. Absolutamente nada.
O mais intrigante é que nem de longe essa seleção lembra o que foi o Real Madrid nas mãos de Ancelotti. Organização, intensidade, padrão de jogo… tudo isso ficou lá na Europa. Aqui, parece um time improvisado, sem padrão, sem ritmo, sem identidade.
E quando a gente acha que já viu de tudo, vem a cena que machuca o torcedor. Após a derrota, Vinícius Júnior e Ancelotti aparecem sorrindo, dando gargalhadas com jogadores franceses. Como assim? O Brasil perdeu. Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo. Em outros tempos, derrota era sinônimo de cara fechada, de indignação, de sede de revanche.
Quem viu Zico, Romário, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Kaká em campo, sabe bem o que era vestir a camisa da seleção. Havia respeito, entrega, compromisso. Hoje, parece que isso virou detalhe.
A seleção brasileira já foi temida, respeitada, admirada. Hoje, causa estranheza. Até a camisa amarela, que antes era símbolo de glória, agora entra em campo sem peso, sem história, sem aquele frio na barriga que o torcedor sentia. Para completar, no último jogo, vestiu um azul horroroso, que contracenou bem como o futebol apresentado.
Que venha a Croácia no próximo amistoso, que venha a Copa do Mundo no meio do ano. Mas, sendo bem direto, esperança de título… só se for no tapetão. Porque na bola, no campo, no futebol jogado, está difícil acreditar.

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