Os primeiros sinais de que o carnaval começa a ganhar forma em Bom Conselho já estão no ar. O Bloco das Virgens, uma das mais tradicionais e irreverentes manifestações da folia na terra de Papacaça, iniciou os preparativos para mais uma saída às ruas da cidade, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e resiste ao tempo com leveza, humor e identidade própria.
Como manda o figurino, o bloco deverá desfilar na sexta-feira que antecede o sábado de Zé Pereira, data que, na prática, abre oficialmente o carnaval bomconselhense. É um ritual que se repete ano após ano e que já faz parte do calendário festivo da cidade. Quando as Virgens aparecem, ninguém tem dúvida: o carnaval começou.
Com 44 anos de história, o Bloco das Virgens construiu sua marca longe de exageros ou apelos fáceis. Não há espaço para pornografia, nem para distorções do seu propósito original. A proposta sempre foi simples e, justamente por isso, duradoura. A participação é exclusiva de homens, todos caracterizados como mulheres, em uma sátira bem-humorada que provoca riso, quebra formalidades e reforça o espírito da brincadeira sadia, da convivência e da amizade.
A animação, como de costume, é presença garantida. O bloco arrasta foliões, curiosos e admiradores que, mesmo sem vestir fantasia, fazem questão de acompanhar o desfile, nem que seja da calçada, com um sorriso discreto e a certeza de estar assistindo a mais um capítulo de uma história que se renova a cada carnaval.
A programação oficial ainda será divulgada nos próximos dias pelos organizadores, mas a expectativa é grande. A cada edição, o Bloco das Virgens consegue reunir um número expressivo de participantes, provando que tradição, quando bem cuidada, não envelhece. Pelo contrário, se fortalece.
Em tempos de carnavais cada vez mais padronizados, o Bloco das Virgens segue como um símbolo da irreverência inteligente e da alegria sem excessos. Mais uma vez, promete colorir as ruas de Bom Conselho e lembrar que o carnaval, antes de tudo, é encontro, riso solto e celebração coletiva. Na terra de Papacaça, essa lição já foi aprendida há mais de quatro décadas.

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