A corrida eleitoral em Pernambuco, que até então ensaiava seus primeiros movimentos, finalmente ganhou forma, corpo e, sobretudo, direção. E direção bem definida. O pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), tratou de tirar o suspense do ar e apresentou, de uma só vez, sua chapa: vice definido, nomes ao Senado postos na mesa e o recado claro de quem está no comando do jogo.
Até aí, nada de novo na política. Quem lidera, monta o time. O que chama atenção — de novo — é o papel desempenhado pelo Partido dos Trabalhadores nesse enredo. Um papel que já virou marca registrada: o de figurante que entra em cena depois que o roteiro já está pronto.
O PT estadual chegou a ensaiar independência. Anunciou plenárias, prometeu debates internos, criou expectativa de que a decisão sairia das bases, com direito a calendário e tudo mais. Discurso bonito. Na prática, um velho filme repetido. Antes mesmo do “gran finale” das tais discussões, a chapa de João Campos já estava desenhada — e, diga-se, com forte tinta de Brasília, sob a batuta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E quando Brasília fala, convenhamos, o resto escuta.
O episódio mais simbólico desse teatro político foi o anúncio envolvendo o senador Humberto Costa. Cotado para a reeleição, peça central na engrenagem petista, ele sequer apareceu no evento de João Campos. Criou-se um clima de suspense, um certo “será que vai?”, como se ainda houvesse margem para decisão local. No fim das contas, tudo terminou exatamente como já estava desenhado: o PT dentro da chapa, do jeitinho que João Campos havia antecipado.
Ou seja, muita fumaça para pouca novidade.
As plenárias? Bem, essas ficaram pelo caminho. A direção estadual até tentou sustentar o discurso de que a maioria já havia sido realizada e que havia, sim, uma posição construída internamente. Mas a sensação que ficou foi outra: a decisão já chegou pronta, embalada e carimbada de Brasília. Restou ao diretório estadual cumprir tabela e dar um verniz de autonomia ao que já estava decidido.
Uma encenação necessária, talvez. Mas ainda assim, encenação.
E como se não bastasse, o partido mostra, mais uma vez, suas fissuras internas. Três nomes de peso — Doriel Barros, João Paulo e Rosa Amorim — simplesmente não deram as caras no evento que oficializou o apoio a João Campos. Ausência que fala mais do que qualquer discurso. O PT segue dividido, inquieto, e longe de ser uma unanimidade dentro de si mesmo.
Mas aí vem o detalhe curioso, quase irônico: mesmo tropeçando nas próprias contradições, o PT continua sendo peça-chave no tabuleiro eleitoral. Pode não liderar, pode não ditar o ritmo, mas segue indispensável. É aquele aliado que ninguém sabe exatamente onde pisa, mas que, na hora da conta, sempre tem peso.
No fim das contas, o que se viu em Pernambuco foi menos uma construção coletiva e mais uma decisão verticalizada. João Campos mostrou força, articulação e, principalmente, alinhamento com Brasília. Já o PT, mais uma vez, vestiu o figurino de coadjuvante obediente — ainda que, nos bastidores, tente convencer a plateia de que tem papel principal.
A política, como sempre, mistura enredo, improviso e conveniência. Mas em Pernambuco, pelo visto, o script já veio pronto. E não foi escrito por aqui.

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