Bom Conselho é dessas cidades onde nada passa despercebido. Quando o sino toca diferente, todo mundo escuta. Desde o último fim de semana, um assunto vem dominando as rodas de conversa, os grupos de WhatsApp, as esquinas, as calçadas e até o cafezinho depois da missa: o caso envolvendo o Hospital Municipal Monsenhor Alfredo Dâmaso. E não, infelizmente não é sobre novos equipamentos, melhorias no atendimento ou avanços na saúde pública. É sobre algo que seria cômico, não fosse profissionalmente e moralmente trágico.
As informações que circulam dão conta de que, nos últimos tempos, funcionários estariam mantendo relações sexuais durante a noite, nas dependências da unidade hospitalar. O caso veio à tona no fim de semana passado e, mesmo com os dias correndo, continua firme e forte na boca do povo. Não saiu de moda, não esfriou, não perdeu audiência. Pelo contrário, segue como um dos temas mais comentados da cidade.
É aí que mora o problema. Hospital não é cenário de novela, nem camarim improvisado, muito menos motel de plantão. É um espaço sagrado para quem sofre, para quem sente dor, para quem depende de profissionais comprometidos, éticos e minimamente responsáveis. Quando se cruza essa linha, o riso nervoso dá lugar à indignação.
Ninguém aqui está discutindo desejo, vida íntima ou escolhas pessoais. Cada um sabe de si, do seu corpo e das suas vontades. Mas há tempo, lugar e contexto para tudo. Quer praticar? Procure outro local. Marque outro horário. Espere o expediente acabar. O ambiente de trabalho, especialmente um hospital público, não é exatamente o cenário mais conveniente, né?
O episódio escancara uma reflexão incômoda: até que ponto alguns profissionais esquecem o peso da função que exercem? O jaleco não é fantasia de carnaval. Ele carrega confiança, expectativa e, muitas vezes, a esperança de quem entra por aquelas portas.
A direção do hospital, corretamente, se manifestou por meio de nota, afirmando que não compactua com qualquer atitude que desrespeite os usuários do serviço público de saúde ou comprometa o atendimento à população. Informou ainda que determinou apuração interna, com escuta dos envolvidos, análise das circunstâncias e adoção dos procedimentos administrativos cabíveis. É o mínimo esperado. Gestão pública também se faz com resposta, transparência e correção de rota.
O estrago, porém, já está feito. A imagem da unidade e dos profissionais envolvidos fica manchada e a cidade ganha um episódio para lamentar. Agora é vida que segue, tocar a bola, cada um procura o seu quadrado, mas que a lição fique.
Porque, no fim das contas, como diz o ditado popular que cai como luva nessa história: quem não sabe separar o dever do prazer, acaba tropeçando onde não deve meter o pé.

Nenhum comentário:
Postar um comentário