Uma notícia chamou atenção no cenário político de Bom Conselho nos últimos dias e mexeu com bastidores, conversas de calçada e análises mais profundas sobre a eleição de 2026 e a disputa na terra de Papacaça. Flávio Urquisa, ex-vereador de Olinda e filho do ex-deputado estadual Hélio Urquisa (in memoriam) e da ex-deputada e ex-prefeita de Olinda, Jacilda Urquisa — casal natural de Bom Conselho — anunciou oficialmente na semana passada seu apoio às pré-candidaturas de Beto Accioly para deputado estadual e de Ricardo Teobaldo para deputado federal.
O gesto, aparentemente simples, carrega um peso político enorme. Mais do que um apoio pontual, a decisão de Flávio acende um alerta e praticamente desmonta uma expectativa que vinha sendo alimentada há meses nos meios políticos locais: a possibilidade de a família Urquisa voltar a apresentar um nome próprio nas eleições de 2026. Até então, cogitava-se com força a candidatura de Izabel Urquisa, irmã de Flávio, seja para a Assembleia Legislativa ou para a Câmara Federal.
A adesão pública de Flávio a outros projetos políticos não somente muda completamente o tabuleiro, como também deixa interrogações. Uma delas: Izabel será candidata. Na prática, a leitura que se faz é clara: a tradicional candidatura dos Urquisa, presente de forma contínua desde o fim da década de 1990, pode estar chegando ao fim.
E não se trata de pouca coisa. Desde 1998, o eleitorado de Bom Conselho sempre teve um Urquisa como opção nas urnas. Naquele ano, Hélio Urquisa foi eleito deputado estadual. Em 2002, 2006 e 2010, Jacilda Urquisa disputou eleições, conquistando dois mandatos. Isabel entrou na disputa em 2014 e 2018, tentando uma vaga na Assembleia Legislativa, mas sem sucesso. Em 2022, Jacilda voltou ao jogo, desta vez como candidata a deputada federal, também sem lograr êxito. Ainda assim, por quase três décadas, o sobrenome Urquisa esteve presente no imaginário e na prática eleitoral do município.
Mesmo radicados em Olinda há muitos anos, os Urquisa nunca romperam seus laços com Bom Conselho. A cidade sempre foi base afetiva, política e eleitoral da família. Por isso, a possibilidade de 2026 marcar a primeira eleição, desde 1998, sem um Urquisa na disputa, já provoca um sentimento de orfandade em parte do eleitorado local e, ao mesmo tempo, abre espaço para uma reorganização das forças políticas.
Se a candidatura de Izabel, que chegou a ser ventilada com insistência, não se confirmar, Bom Conselho entra em um novo ciclo. Um ciclo em que o eleitor redistribuirá seus votos, fortalecendo outros projetos e outras lideranças que buscam espaço na política local.
O fato é que a política é dinâmica, feita de sinais, gestos e decisões que falam mais alto do que discursos. A posição de Flávio Urquisa é um desses sinais claros. Resta agora acompanhar os próximos capítulos, observar os movimentos, os silêncios e as alianças. A caminhada está apenas começando.

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