segunda-feira, 9 de março de 2020

Abuso sexual no Brasil é epidemia com três casos por hora, por Alexandre Piúta.

O Brasil atingiu novo recorde de abuso sexual, com três ataques a cada hora. As agressões pularam de 13.300 casos em 2011 para 32.082 em 2018, número recorde e crescente. O estranho é que um dado dessa magnitude é anunciado e no dia seguinte passa a ser notícia de rodapé do noticiário.

Dos 32 mil casos, surpreende o número de abusos praticados na residência da vítima com mais de 11.800 casos ou 25% do total, os cometidos por país e padrastos com 3.490 casos e que são cometidos por amigos com 5.014. As meninas de 10 a 19 anos são as vítimas de toda essa violência com 92,3% dos casos e as de 0 a 9 anos com 76,4% dos casos. Esse recorde, contudo, já pode ter sido ultrapassado, se levada em conta a política de governo que desde 2019 tem diminuído os investimentos para campanhas de esclarecimentos e de orientação sexual nas escolas.

Tema que é encarado por conservadores e atrasados como ensinar a criança a fazer sexo, quando o intuito é orientar crianças e adolescentes a se protegerem desses abusos, como encarrar a situação e mais, ensiná-las a ter coragem de denunciar, pois é muito comum que, sob o argumento de não expor a situação de quem cometeu o crime, a família use o famoso “o melhor e não mexer com isso”, ou seja, condena a vítima e protege quem cometeu o crime.

Na contramão dessa realidade, o governo excluiu o tema da grade curricular do MEC, repassando a temática para o Ministério da Mulher, de Família e dos Direitos Humanos, um sinal de que para o governo a violência sexual é discussão de costumes e não decorrente da impunidade, da falta de formação e de educação.

É sabido que vivemos num país que precisa avançar muito para reduzir o preconceito e o machismo e aumenta a preocupação quando o governo insiste que a temática educação sexual é para ser discutida em casa e não nas escolas, ou seja, é o governo concordando com os abusos que se repetem ano após ano, quando técnicos e especialistas indicam a educação e a capacitação de pessoas para orientar crianças em idade vulnerável, diminuir a incidência desse epidemia reveladas no número crescente de casos de abusos de crianças e adolescentes.

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