O Brasil deverá registrar o pico da
pandemia do novo coronavírus na próxima semana, em 10 de maio. A partir desse
ponto, a doença poderá começar a cair ou continuar, com aumento dos casos. A
estimativa foi divulgada pelo professor da Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo, a USP, e ex-presidente da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária, a Anvisa, Gonzalo Vecina Neto.
Em entrevista à Reuters, o especialista
afirmou que a previsão se baseia em modelos matemáticos sobre o comportamento
da Covid-19 na Europa e na Ásia. Segundo ele, o avanço da doença vai depender
das medidas adotadas e o quadro pode se agravar com a queda do isolamento
social. Gonzalo Vecina Neto avaliou que falta coordenação do governo federal e
orientação nacional, o que tem atrapalhado no combate à pandemia no Brasil.
Para o especialista, o Ministério da Saúde
deveria estar concentrado na distribuição de equipamentos de proteção
individual para os profissionais de Saúde. Também deveria elaborar uma política
de testagem eficiente, para o processamento da grande quantidade de kits de
exame de detecção da Covid-19, que foram adquiridos recentemente.
O especialista criticou o papel que o
presidente Jair Bolsonaro tem desempenhado na crise, com gestos e declarações
que diminuem a gravidade da situação. As palavras têm consequência, alertou
ele, e podem levar as pessoas a seguirem os comportamentos de risco adotados
pelo presidente. Além de criticar o distanciamento social e ter se referido à
doença como uma “gripezinha”, Bolsonaro provoca aglomerações nos passeios que
faz por Brasília.
Na última quinta-feira, 30 de abril, o novo
ministro da Saúde, Nelson Taich, afirmou que, em breve, o País poderá ter mil
mortes por Covid-19, por dia. Na mesma data, anunciou que o número de
infectados ultrapassava 85 mil casos, com cinco mil 901 mortes no Brasil.

Nenhum comentário:
Postar um comentário